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Tire suas Dúvidas

 

Andreia Cristina Leal Figueiredo*

O cuidado com a saúde no ambiente hospitalar vem requerendo a atuação crescente da Odontologia.  O trabalho do Cirurgião-Dentista nesse espaço tem como alicerces a prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, com uma assistência integral e trabalho em equipe multidisciplinar, contribuindo de forma direta na redução do tempo de internação e impactando diretamente na qualidade de vida dos pacientes.  Estudos vêm demonstrando que a melhoria no quadro clínico dessa população está diretamente relacionada com essas ações, sendo que a condição de saúde bucal tanto pode alterar a evolução e a resposta ao tratamento médico como também pode ser comprometida por doenças, agravos e interações medicamentosas.

A atuação da Odontologia hospitalar não se resume às intervenções cirúrgicas, mas amplia-se em um espectro de procedimentos que incluem o diagnostico clinico, interpretação de exames complementares, controle de infecções, acompanhamento clinico e tratamento especifico, tanto a nível ambulatorial como em regime de internação, no atendimento a pacientes com necessidades especiais, portadores de doenças sistêmicas, no pré e pós operatório, abrangendo ainda a capacitação e supervisão de equipes auxiliares para manutenção da saúde oral. Recentemente, essa atuação foi ampliada, tendo como base o Projeto de Lei 2.776/08 aprovado pela Câmara Federal dos Deputados e Senado Federal que estabelece a obrigatoriedade da inserção do Cirurgião-Dentista em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Sabe-se que nesses espaços, os pacientes por estarem com sua saúde comprometida, com alterações no sistema imunológico, redução e espessamento do fluxo salivar devido a deficiências na hidratação, nutrição e respiração, estão em maior risco de contrair infecções oportunistas, dentre elas a pneumonia. A literatura cientifica vem demonstrando que a pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) por um período igual ao superior a 48 horas esta relacionada aqueles que apresentam uma saúde e higiene bucal comprometida. Estudos epidemiológicos demonstram  que a prevalência global de PAV pode variar entre 15 a 25 %, impactando nos coeficientes de morbi mortalidade desses pacientes, sendo um problema grave de saúde publica. Entretanto, medidas preventivas, como o controle químico e mecânico do biofilme da cavidade oral podem contribuir para a redução desse agravo.

O Conselho Federal de Odontologia (CFO) através da Resolução 162 de 03 de novembro de 2015, reconhece a atuação do Cirurgião-Dentista no ambiente hospitalar e a necessidade de  habilitação e capacitação desses profissionais. A nova gestão do CROBA 2017-2019  começa a trabalhar na organização e sistematização do processo dessa habilitação e fluxo das normativas.Essas ações contribuirão para a regularização dos odontólogos que já atuam há pelo menos cinco anos em hospitais e daqueles que forem oriundos de cursos de Odontologia Hospitalar  expedidos por instituição de ensino superior ou entidade registrada no Conselho Federal de Odontologia.  Diante disso, ressalta-se que se abre um novo campo de atuação para o Cirurgião-Dentista que deve buscar formação especifica e adequada, contribuindo dessa forma para a ampliação da atuação da Odontologia hospitalar, mostrando-se imprescindível para a melhoria das condições de saúde da população.

*Andreia Cristina Leal Figueiredo é presidente da Comissão de Odontologia Hospitalar do CRO-BA.