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24/05/2020

Nota Pública

Nota Pública

Em razão de grande polêmica decorrente do pronunciamento em veículo de comunicação pelo radialista Mário Kertész, o CRO-BA vem a público registrar esclarecimentos pela maneira como um tema sério e importante foi tratado. A laboriosa e honrada classe odontológica sentiu-se ofendida com a utilização do termo “Bandalheira”. A impropriedade da abordagem, e alguns equívocos expressos pela opinião, não consideraram alguns dados relevantes. A Odontologia sempre incorporou tecnologias e saberes de biossegurança em suas práticas, estando atenta às atualizações das medidas de precaução padrão e de precauções específicas visando a prevenção e controle de infecção. A Odontologia, contrariamente ao que foi falado, é, sim, uma profissão essencial. Desde sempre, a equipe de Odontologia lida com riscos graves de infecção. Na prática diária nos deparamos com infecções de alta transmissibilidade, a exemplo de: hepatite B, hepatite C, tuberculose, dentre outras. Fazemos parte de uma equipe multiprofissional de assistência à saúde, e nossos profissionais são muito bem preparados. Possuímos 22 especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Odontologia. Nosso ambiente de trabalho é alvo de intensa atenção e cuidados no combate às infecções cruzadas. Nosso discurso sempre defendeu que todo tratamento é potencialmente infectante e por isso a paramentação, as barreiras físicas e químicas devem ser de excelência para proteção da equipe odontológica e do paciente. O uso de equipamentos de proteção individual sempre pertenceu à nossa rotina. Sempre! O cuidado com a desinfecção das superfícies e o uso de antissépticos e bactericidas, também. Nossa anamnese criteriosa sempre buscou informações detalhadas sobre diversos aspectos da saúde dos pacientes e de sinais e sintomas de infecção. Todo instrumental deve seguir rigores de esterilização preconizados pelas normas vigentes. A odontologia é regulamentada por órgãos competentes e por normas regulamentadoras, mais especificamente a NR 32 de 2008. Portanto, nada é muito novo em relação a biossegurança e, assim, como ultrapassamos epidemias importantes, também estamos incorporando novos saberes em tempos da COVID-19. Para nós, a preocupação sempre existiu. É nossa rotina.

A Odontologia preza pela função e pela estética, mas é resolutiva para urgências e emergências. Tem, além disso, caráter preventivo fundamental. A partir da boca, bactérias podem migrar para órgãos importantes como fígado e coração, o que pode levar o paciente à morte. Muitas dessas infecções virais, fúngicas ou bacterianas podem evoluir, silenciosamente, e podem, inclusive, gerar perda na resposta terapêutica de tratamentos médicos. Em algumas doenças graves, os primeiros sintomas e sinais clínicos se manifestam na cavidade bucal, como, por exemplo: HIV, câncer de boca e orofaringe e até sangramentos relacionados a doenças do sistema hematopoiético. A Odontologia Hospitalar é fundamental para acompanhamento e prevenção de graves problemas de pacientes internados e acamados. A dor de origem bucal é intensa, muitas vezes insuportável, mas, imaginar que apenas nesses casos seríamos essenciais é um erro. Tratamentos interrompidos ou inacabados podem trazer graves problemas para o planejamento e condução futura da saúde bucal (SANZ et al., 2020; PRESHAW and BISSETT, 2019 e AKAR et al., 2011).

A Odontologia tem despontado no mundo pela evolução científica-tecnológica com criação e uso de equipamentos de alta performance (escaneres de boca, de face etc.), softwares específicos, que

 

dão suporte em cirurgias com alta previsibilidade. Tudo isso leva a uma transformação das rotinas, inclusive agora na pandemia pelo SARS-CoV-2. A Odontologia, a exemplo de todas as profissões, tem diferentes realidades, mas evoluiu e evolui exibindo importante destaque na área da saúde e na saúde geral da população. Cabe, aos órgãos sanitários de fiscalização municipal e estadual, o papel fiscalizador quanto ao cumprimento das Notas Técnicas e protocolos publicados até o momento. O Conselho Regional de Odontologia da Bahia é apto e disponível para contribuir nessa fiscalização nesse momento tão delicado em que o mundo está vivenciando. Por isso, rechaçamos qualquer ato depreciativo da classe odontológica ou que possa vilipendiar a profissão. Seguiremos com ética e dedicação respeitando todos os critérios e rigores contido em nosso Código de Ética Odontológica, punindo rigorosamente quem não os cumpre.

O CRO-BA está à disposição da classe odontológica, da comunidade e da mídia em geral, fornecendo informações referentes ao atual panorama pandêmico.

Respeitosamente,

Marcel Lautenschlager Arriaga, CD

Conselheiro Presidente